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CHAPADA DOS GUIMARÃES

Procurado pela Interpol por morte de jornalista é preso em Chapada e vivia como borracheiro

Redação: Notícias da Baixada | 29/05/2020 - 20:49
Procurado pela Interpol por morte de jornalista é preso em Chapada e vivia como borracheiro

Um homem de 48 anos, que não teve identidade divulgada, foi preso na manhã desta sexta-feira (29), em Chapada dos Guimarães (60 quilômetros de Cuiabá), por envolvimento na morte do jornalista paraguaio Pablo Medina. O suspeito estava em uma casa simples, na zona rural do município, onde mantinha uma borracharia e vivia com a família há dois anos.

Ele era procurado pela Justiça de Mato Grosso do Sul e pela Interpol. A investigação contou com atuação de equipes da Polícia Civil de Campo Verde e da agência local de inteligência da Polícia Militar do município e de Chapada dos Guimarães.

Durante a abordagem, ele apresentou documento em nome de outra pessoa, como tendo nascido em 1978 e natural de Caarapó (MS). Contudo, após entrevista na delegacia, ele confessou que o documento é falso e que teria pago R$ 600 a um parente falecido, o que será apurado.

Os policiais apuraram que contra o homem, que tem dupla nacionalidade (paraguaia e brasileira), haviam dois mandados de prisões expedidos pela comarca da justiça do município de Sete Quedas (MS).  Em consulta à Interpol, a Polícia Civil também constatou que o suspeito tem mandados de prisões expedidos pela Justiça paraguaia e que ele consta na lista vermelha dos mais procurados no país vizinho.

O delegado de Polícia de Campo Verde, Mário Roberto Santiago Junior, entrou em contato com a Interpol em Assuncion e obteve a informação de que o homem responde por diversos crimes no Paraguai. Ele tem, inclusive, envolvimento nas mortes do jornalista paraguaio Pablo Medina Velázquez e de sua assistente, Antónia Marines Almada Chamorro, ocorridas em outubro de 2014, na fronteira dos dois países.

Três pessoas foram investigadas pelas mortes, sendo um deles o irmão do homem preso em Campo Verde, que seria o mandante dos homicídios, e um sobrinho dos dois. Após os procedimentos policiais em Campo Verde, o homem será encaminhado para uma unidade prisional e colocado à disposição do Poder Judiciário.

Mortes

Conforme denúncia do Ministério Público Federal contra um dos acusados pelos crimes, a morte do jornalista foi motivada por uma vingança das três pessoas envolvidas em represália às publicações do jornalista contra os Acosta no ABC Color, jornal de maior circulação no Paraguai. Medina publicou diversas matérias sobre Vilmar, então candidato a prefeito e depois prefeito da cidade paraguaia de Ypejhú, a quem atribuía vínculo com o narcotráfico na fronteira entre o Paraguai e o Brasil e envolvimento em crimes de homicídio nas regiões paraguaias de Villa Ygatimi e Ypejhú. Por conta das matérias, o jornalista recebia ameaças de morte por parte do político.

O crime ocorreu na tarde de 16 de outubro de 2014, em uma emboscada na estrada rural que liga a cidade de Villa Ygatimi à Colônia Ko’e Porá, localizadas no Departamento de Canindeyú. Usando vestimentas militares, tio e sobrinho simularam uma blitz e quando o carro do jornalista parou foi atingido por tiros. A assistente estava no banco do carona e também foi atingida. 

Fonte: OlharDireto