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NÃO ESTAMOS DE FÉRIAS

Médico elogia planos de contingência em pandemia e faz alerta

Cassius diz que período é de muito cuidado por conta da possibilidade de superlotação nas área da saúde

Redação: Notícias da Baixada | 22/03/2020 - 21:03
Médico elogia planos de contingência em pandemia e faz alerta

O coronavírus tem causado desespero entre mato-grossenses. O Governo confirmou 1 caso, embora haja mais dois atestados por laboratórios particulares. O infectologista Cassius Clay Azevedo afirma que o momento é crítico da nossa vida, mas não para entrar em pânico. Apesar de contágio e adoecimento rápidos, a doença tem baixo número de mortes. Reforça que a preocupação é com os idosos e portadores de doenças crônicas, pois são a exceção as complicações que resulta em morte. Como governos, prefeituras e imprensa vêm reiteradamente batendo na tecla, o médico disse que atos de higiene, respeito ao isolamento domiciliar e evitar aglomerados de pessoas são boas medidas para evitar contágio rápido.

O Governo adotou medidas de suspender aulas e eventos públicos. Como as avalia?

Atitude perfeitamente correta, pois vai conseguir apartar as pessoas delas mesmas. Quando fala de fazer uma quarentena, isso é próprio para proteção da pessoa. Nós não estamos no período de férias. A gente está com sinal de alerta piscando. Por exemplo, crianças que não estão estudando, então quer dizer que eu posso ir para o shopping com as amiguinhas? Não! É ficar dentro de casa esperando orientações maiores acerca do que fazer.

Qual momento das autoridades a pensar que os adultos fiquem em casa?

Acredito que, assim que forem confirmando casos, essa contingência vai aumentar.

Acredita que o coronaívurs vai ter o pico aqui no Estado?

Confesso que, a cada dia que passa, como profissional, estou ficando receoso já disso acontecer. O nosso receio é, se aumentar o número de casos confirmados, nós não teremos aporte adequado para tratar esse pessoal. Uma pessoa com coronavírus não é só chegar, tratar como um resfriado e mandar para casa com dois dias de atestado. Precisa de ambientes de Unidade de Terapia Intensiva (UTI), ou pelo menos um CTI, que é um semi intensivo de UTI. E assim, se de repente mil pessoas confirmarem, onde vai abarcar todo esse pessoal? Então, por isso que a população tem sim que obedecer ao plano de contingência, ficar em casa, beber bastante líquido, alimentar-se bem, evitar o contato físico. Tudo isso aí são medidas que ajudam a coibir de contaminação com vírus.

Rodinei Crescêncio

Cassius Clay Azevedo

O médico infectologista Cassius Clay Azevedo durante entrevista exclusiva ao repórter Allan Pereira, em seu consultório, na 4ª passada, em Cuiabá

Tem previsão para quando teremos de volta uma rotina normal?

Os pessimistas falam que a partir de julho é que vai piorar o número de casos confirmados e pessoas doentes. Os mais otimistas acreditam que até 50 dias seja um tempo razoável para ter uma noção da contaminação, dos sintomas e do desfecho do caso – se óbito ou cura. Acredito que do jeito que está indo, a gente consiga – com ajuda de Deus – controlar isso.

O que os pessimistas levam em consideração para essa demora de 4 meses?

A explosão maciça de casos novos.

Mas por conta do quê? O clima?

Não tanto o clima. O sol causticante pode impedir um pouco sua transmissão, mas não erradica de vez. Países como Irã e Iraque tem casos sob um sol terrível. Quando eu falo em explosão de casos, é a contaminação entre as pessoas mesmo. Falo do mundo obscuro, onde você não vê sintomas, pois trabalhamos com dois grupos – os sintomáticos e os assintomáticos. O primeiro é aquele tem febre, tosse, falta de ar, nariz escorrendo. O segundo não tem sintoma, mas tem o vírus nele. O período de transmissibilidade é entre 2 e 12 dias, com uma média de 5,5 dias. No sexto dia, ele já começa a ter sintomas.

Rodinei Crescêncio

Cassius Clay Azevedo

O infectologista Cassius Clay Azevedo, em entrevista exclusiva ao Rdnews, afirmou que período de quarentena não é férias e reforçou cuidados

Quando uma pessoa deve procurar ajuda médica?

A pessoa tem que fazer uma triagem adequada. Por exemplo, uma pessoa de 40 anos está tossindo por que foi numa serralheria e é alérgica. Em dois dias, não fez febre, não ficou cansada. Só muita tosse e espirro. Ela não deve procurar um pronto atendimento pois, provavelmente, foi uma tosse alérgica ou rinite. Agora, uma pessoa que viajou para Minas Gerais, voltou de lá e, quatro dias depois, teve febre, dor no corpo, começou a tossir de modo exaustivo, a idéia é sim procurar uma unidade. É necessário coerência do sintoma para poder procurar serviço médico. Já pensou se Cuiabá hoje, que tem quase 1 milhão de habitantes, 20% da população procure pronto atendimento? Vai ter uma superlotação, tanto no sistema público quanto privado. 

Fonte: Especial - RDnews